Na trajetória humana, quando uma criança nasce ela ganha uma família, um sobrenome, pais que a amarão e a protegerão. Ela se insere numa casta familiar e herda características genéticas e um conjunto de valores, que definirão não só aspectos físicos como tendências psíquicas. Potencialmente, toda a teia ancestral está contida na vida de uma criança que nasce. Ela é a ponta daquela teia, e, como um nascimento mais recente, pode apresentar virtudes e qualidades bem expressas, por uma herança benéfica de seus antepassados, ou pode trazer em si, a tarefa de resolver ou equilibrar algo que não ficou bem entre seus ancestrais e que gerou algum desequilíbrio no sistema familiar.
Mas, como saber o que não ficou resolvido outrora? Como saber qual(is) tarefa(s) aquela criança que acabou de nascer traz, enquanto a ponta de sua ancestralidade? Muitas vezes não há como saber. É quase como um mistério, que, ao longo da história de vida, vai se delineando como uma tendência, um conflito, um dilema ou um talento nato, uma qualidade bem desenvolvida etc. E a família lida com estas características favorável ou desfavoravelmente ao equilíbrio familiar.
Segundo Bert Hellinger, o criador da terapia “Constelação Familiar”, estes desequilíbrios ou sintomas apresentados por alguém na família, faz parte de algo que se chama emaranhamento, que é quando alguém do presente fica envolvido com alguém do passado, que já morreu, mas, através do campo energético familiar, esta pessoa do presente, assume características deste ancestral, para que possa trazer à tona algum desequilíbrio gerado e harmonizá-lo.
Existem leis que regem o comportamento humano dentro do grupo familiar. Uma delas é a Lei do Pertencimento, que é o direito de pertencer. Nada pode ser excluído do sistema. Todos têm o direito de pertencer. Se, por exemplo, um antepassado foi excluído do sistema familiar, por um comportamento que infringiu as regras daquela família, o ato da família, de rejeitar e excluir aquele familiar gera um desequilíbrio, que terá que, necessariamente, ser reequilibrado em algum momento, mesmo que demore. Uma criança, por exemplo, pode assumir o comportamento de uma bisavó ou da irmã de um avô, que foi excluída, e trazer à tona toda aquela condição de exclusão para que aquele familiar possa ser novamente reintegrado ao sistema.
Às vezes uma dor muito forte que uma mãe sentiu, por exemplo, ao se separar do marido, por uma traição ou abandono, se esta mãe excluiu aquela dor, desprezando-a, não a vivendo conscientemente, esta dor fica no inconsciente, gerando um campo energético. Todo sentimento ou emoção que é excluído cria um campo denso de informação. Um filho pequeno, que percebe este campo energético, pode captar e assumir aquela dor como sua, por amor à mãe, para que esta seja aliviada. Crianças captam muito mais o inconsciente, por elas viverem numa frequência cerebral mais baixa.
O sistema familiar é um campo de energia que não olha individualmente para um e sim para o Todo e tenta se equilibrar o tempo todo. Às vezes, pessoas assumem comportamentos que não são seus, mas de alguém ou algo excluído outrora, como foi dito, e isto se traduz, no futuro, em problemas e dificuldades. Cada membro da família tem um papel e quando é honrado, respeitado, reconhecido, essa pessoa fica em paz e o sistema também experimenta paz.
Os pais são um elo de ligação entre os filhos e os ancestrais. Quando os filhos honram seus pais, estão honrando também toda a história de seus antepassados. Quando isto acontece, os filhos trazem para eles, toda a força ancestral, que os coligará com sua própria força interna. Abençoar os filhos com esta consciência é permitir que os filhos encontrem esta força. Nesta força existe ordem. A ordem é um caminho de proteção do sentido da vida, para prosperidade material e espiritual dos filhos, uma via ímpar para o autoconhecimento e a realização dos grandes propósitos da vida. É através da Força Ancestral de nossos pais e avós que nos conectamos a nós mesmos e a Deus.
Segundo Bert Hellinger, existe uma Lei de Hierarquia no contexto familiar: Os pais, que vieram antes, têm prevalência sobre os filhos, que vieram depois. E isto se constitui uma Ordem de Respeito para que o sistema familiar tenha equilíbrio. Os pais, portanto, como adultos conscientes, têm a responsabilidade de guiarem, acolherem, cuidarem e abençoarem os filhos. E estes, de respeitarem e aprenderem com os pais. A responsabilidade dos pais os coloca num lugar de força, e os dota de recursos para realizarem a sua função. Esta ordem é totalmente saudável e natural. E uma vez respeitada, permite que haja um aprendizado mútuo nesta relação. A realização do filho é proporcional ao grau em que ele respeita e aprende com os pais. Assim, o amor dos pais flui para dentro do filho, que transforma em êxito sua própria realidade cotidiana.
Os pais são grandes e os filhos pequenos. Se estes filhos se comportam assim, honrando os pais como pessoas que lhes deram a vida, estes filhos vão atrair a prosperidade e realização em suas vidas.
No processo da bênção todo este mecanismo de amor pais / filhos se potencializa. Os pais conscientemente dão a permissão para que os filhos sigam com liberdade e sejam bem sucedidos. Assim, a bênção é transmitida de uma pessoa dotada de autoridade para outra pessoa. Seria como se os pais dissessem permanentemente ao filho: “Você é uma bênção e por ser bênção (único, singular no mundo e de grande valor), alcançará tudo o que lhe foi destinado por Deus”.

